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Momentos da história

02/Oct/2009 Nenhum comentário

Editorial do jornal publicado pelo Movimento pelas Reparações

No ato público realizado no Rio de Janeiro, quando foi desencadeado o Movimento pela Reparação para o povo negro e povos indígenas, alguns dos participantes não tinham pensamento formado da dimensão étnica e, sobretudo política do que representa para negros (as) e indígenas, aquela ação que se constitui como fato histórico.

Na verdade o Ato Público do dia 20 de março, por si só é um fato político importante, porém não havia em alguns dos presentes a consciência de que estavam fazendo história.

Ao que se sabe é a primeira vez no Brasil e com certeza nas Américas, que negros (as) e indígenas se unem numa aliança étnica para travarem luta política contra o Estado brasileiro, o responsável pelas condições sociais nas quais se encontram os seus povos como reflexos dos crimes cometidos contra seus antepassados.

O ato público como fato político, mais a ação em conjunto de militantes negros e indígenas na organização deste ato – com aliança étnica formal estabelecida entre eles e também o lançamento do Movimento pela Reparação, esses atos em conjunto se apresentam como um novo momento na História dos dois povos, sobretudo no processo de luta de ambos contra a discriminação, que passam na sociedade brasileira e na luta que estão desencadeando para que seus povos venham a ser reparados pelos crimes de escravidão e de colonialismo que num determinado período da História da humanidade, os seus antepassados sofreram.

Mas, de tudo o que há a ser ressaltado é que neste momento da história do negro e também do indígena, o momento se constitui como o florescer de novos modelos de organização para a luta política no Brasil e obviamente a derrubada de práticas que o tempo fez ficarem velhas, em particular as práticas atuais do movimento negro que reivindica políticas públicas – que não deixa ser política de Governo para negro – como solução para as péssimas condições sociais em que o negro se encontra.

Assim neste momento da história da luta do negro, ao se estabelecer a divisão ideológica, com a “unidade” que até então existente no movimento negro tornado nula, os que têm opção política pela implantação da luta para a Reparação do povo negro com base no direito coletivo – fazem questão de marcar as divisões que estão sendo delineadas no meio negro com esta nova pratica.

Neste sentido no Movimento pela Reparação e em decorrência na União Panafricanista, organização negra como instituição deste movimento, para colocar em pratica a luta pela Reparação, para o Povo negro, a rigor a luta por Reparação, funda nova forma do (a) negro (a) se organizar para implementar com eficácia o combate ao racismo como luta política.

Como é do conhecimento de todos está arraigado na militância negra em geral o movimentismo, que são ações e atividades desenvolvidas como respostas à conjuntura nos atos discriminatórios contra negros (as).

O movimentismo não será forma de atuação da militância da União Panafricanista, como também esta instituição, não terá como prática de atuação o denuncismo e o reivindicalismo ineficazes e muito menos as ações ou atividades que tenham como objetivos a integração do negro (a) na sociedade capitalista.

Neste caso, a Reparação Histórica e as Ações Afirmativas se colocam em campos opostos e como são expressões de divisão ideológica, não há como o militante do Movimento pela Reparação, ser ao mesmo tempo militante pró Ações Afirmativas. Mesmo porque a divisão da militância negra entre Reparação Histórica e Ações Afirmativas, como divisões ideológicas as mesmas de consolidam concretamente, quando cada militância coloca em prática as suas idéias as quais acredita como princípios.

Este pensamento vigora no Movimento de luta pela Reparação para o povo negro e povos indígenas, mais precisamente, na União Panafricanista que está sendo construída.

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