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A África e seus filhos a tragédia africana

08/Jul/2011 Nenhum comentário

A África e seus filhos – A tragédia africana

A África e seus filhos – A tragédia africana

A complementação do título deste artigo em razão de uma determinada realidade tem que ser: A África e seus bons e maus filhos, a sua grande tragédia. 

           Uma África idolatrada e o africano em África e na Diáspora africana olha do idealisticamente sempre foi a atitude da militância negra do Brasil nas últimas décadas. 

           A idéia que a militância de movimento negro do Brasil tinha e continua tendo era a de uma África como mãezona, uma super mãe, sendo a pessoa de origem na África considerada filho querido e portanto para a militância negra do Brasil um negro era sempre um irmão, filho dileto da mãe África. O pensamento de Martin Luther King de que “há negros que colaborarão com os opressores” é ainda para a militância negra, na sua maioria, uma abstração e sem aplicação efetiva na realidade que ela criou para si. 

           Assim quando neste início do ano 2011, declarado pela ONU como o dos afro descendentes – negros seria mais apropriado para construção de identidade étnica – a militância negra em todo o mundo assiste apreensiva as convulsões políticas que estão ocorrendo nos países islâmicos do norte da África e na Líbia em particular. O importante contudo é compreender o que esses acontecimentos representam para todos nós filhos da África. 

           Neste turbilhão político que deve ter orientação da CIA (Agência de Inteligência Americana) que sempre fomentou agitação como as que atualmente estão ocorrendo, saber como os filhos da África e na Diáspora, direta ou indiretamente ligados a invasão da África se comportam frente a História é muito importante. 

            Nessas convulsões políticas que resultou na invasão da África, tem-se a ela diretamente ligado um filho da África, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos submetido a uma determinada política externa que presume-se tem orientação da CIA. 

           Em destaque, tem-se a África e a unidade solidária que os países do continente estão dando a Líbia. O bombardeio do país pela OTAN recebeu a advertência da UA (União Africana) de que na continuação da agressão a um país da África poderia resultar no envolvimento do africano comum – e que não são poucos – devidamente armados neste conflito que está durando mais tempo do que o esperado. 

           A verdade é que a África há um reconhecimento de que ninguém tem contribuído mais para o Panafricano, a unificação dos africanos, do que Muammar Al Qathafi, principalmente com ajuda financeira substantiva. 

           Mas e a Diáspora do Brasil? – País fora do continente de maior população de pessoas de origem étnica africana.

           Os meses em que estão ocorrendo a invasão da África, através da Líbia, não abalaram os filhos da África que embora apreensivos, porém durante todo esse tempo se manteve impassível. Não se tem conhecimento de que algum ato condenando está opção contra a mãe África tenha sido realizado. 

           Contudo alguns negros de partidos de esquerda, negros partidários – diferentes da militância negra por serem mais partido e menos movimento – tomaram uma errada posição frente ao fato que estava ocorrendo, como a invasão da África pela ex-potência colonialista européia e os Estados Unidos. 

           O erro – é na verdade um erro político – residiu no fato de que esses negros partidários não foram contra a invasão da África. Não denunciaram o crime contra a humanidade cometido pelos bombardeios efetuados pela OTAN. Um ato criminoso que vitimou crianças e adultos desarmados. Os negros partidários apoiaram os bombardeios efetuados pela OTAN de objetivo declarado, o de assassinar um chefe de Estado de uma nação membro das Nações Unidas. 

2 – Convergência Socialista Argentina 

           Na verdade os negros partidários apoiaram a invasão da mãe África como filhos traidores e se colocaram ao lado das ex-potências colonialistas européias e dos Estados Unidos, orientados pelos brancos eurocentristas da Convergência Socialista Argentina de pensamento social europeu e que neste triste episódio têm posição implicitamente racista.

            No documento “Declaração Conjunta da Convergência Socialista Argentina e o Movimento Revolucionário do Brasil”, que será guardado para atestar no futuro o erro que cometem no presente, há erros de análise política dos fatos e também do ponto de vista de registro histórico, entre outros menos graves. 

           Os autores desta Declaração da Convergência Socialista Argentina como a maioria das elites de esquerda, são eurocêntricos e não deixam de demonstrar o seu total desconhecimento da África, quando afirmam que “Che Guevara viajou à África para lutar ao lado dos revolucionários em Angola.” 

           Ao que se sabe, Guevara nunca esteve em Angola. A época em que passou pela África, duas eram as organizações políticas militarizadas que empreendiam em Angola a guerra anti-colonial. Uma, a FNL de Holder Robert, apoiada pelos Estados Unidos. A outra, a UNITA de Jonas Savimi, ligada mais ao capitalismo europeu. Com certeza Guevara não haveria de considerar os amigos dos seus inimigos, o colonialismo e imperialismo, como revolucionários e muito menos aliados. 

           Em viagem pela Europa em 1997, Julius Nyerere, antigo presidente da Tanzânia, em palestra para universitários em Londres, a respeito desta questão declarou que esteve com Guevara em 1961 quando o mesmo pediu ajuda para fomentar uma revolução panafricana. Este fato com certeza é desconhecido desta elite eurocêntrica da Convergência Argentina, porque se assim não fosse ele seria destacado, uma vez que unificação da África é encontrado em Trostky que certa vez afirmara que “o socialismo só seria implantado numa África unificada. 

           Os mentores argentinos da Declaração da Convergência Socialista – como não poderia ser diferente em elite esquerdista radicalizada e eurocêntrica – cometem erro de análise política ao afirmar que os conflitos que estão ocorrendo na Líbia – fomentados e apoiados financeiramente pela CIA – é uma revolução democrática e de maneira simplista, concluem que os trabalhadores deviam intervir. Esta conclusão obrerista tem como lembrança o que ocorrera na Espanha, na Guerra Civil a mais de 70 anos passados. 

           A Guerra Civil espanhola, tem de diferente de outras semelhantes, por nela ter participado ativamente voluntários de várias partes do mundo, razão pela qual é considerada guerra civil romântica, cujo resultados todos conhecemos. A lição deixada por este acontecimento histórico é que não há como fazer luta política conseqüente, sobretudo luta armada com romantismo. 

           O pensamento desses pequenos burgueses convergistas argentinos é atrasado e distante do tempo histórico e da realidade do mundo contemporâneo. Não há como acreditar que trabalhadores alemães, franceses, italianos, ingleses, gregos e de países da Europa e mesmo dos outros continentes, se disponham a abandonar os seus recantos para mergulharem neste aventureirismo de ocasião. 

           A verdade é que não se sabe – e também não está explicado – como os mentores da Declaração da Convergência Socialista podem acreditar que de um conflito armado, os trabalhadores brigadistas ser hegemônico neste conflito e ainda, ao final do mesmo, instalarem na Líbia, com o beneplácito das potências ocidentais uma sociedade socialista de modelo que os mentores convergistas estão delirando. 

           A atitude dos argentinos convergista é no mínimo curiosa na medida que em momento algum se propuseram como voluntários nesta empreitada e muito menos convocaram trabalhadores argentinos para combater na Líbia, ao lado de monarquistas líbios e de remunerados pela CIA o governo do Presidente Qathafi. Ao contrário conclamam” as organizações maiores, aqueles que se vangloriam de ser verdadeiro “internacionalista” como Lit/Ci, a Liga Internacional dos Trabalhadores deveriam assumir a liderança no recrutamento de voluntários das organizações das brigadas.” 

           Com esta posição obrerista (trabalhadores) os convergistas argentinos como grandes sonhadores faz análise do conflito do norte da África com olhar do que gostaria que ocorresse – “revoluções democráticas nas nações islâmicas” – porém muito distante do que efetivamente está ocorrendo. 

           Assim para esses convergistas sonhadores, o “processo revolucionário tem tracejado na Líbia, objetivamente”. Ou então que, “novo regime em que os trabalhadores e o povo líbio ganhou um papel sem precedente”. Em oura parte afirmam que “o caráter socialista da revolução coloca as tarefas que os militantes, que para ter sucesso, além de solidariedade internacional ativa deve ser um governo de expropriar as empresas de petróleo e redistribuir a riqueza enorme da Líbia”. 

           A miopia política dos convergistas argentinos em analisar processos políticos determinados e anseios para que sonhos socialistas aconteçam, faz com que vejam revolução socialista onde não existe práxis revolucionária. 

           A crítica a Convergência Socialista Argentina a rigor, é crítica a negros partidários que se permitem ser assimilados as idéias  dos convergistas argentinos que como será provado, fazem análise equivocada do conflito do norte da África, afirmando como processo revolucionário socialista quando o que existe de forma efetiva na Líbia são insurgentes financiados pela CIA para defender interesses petrolíferos da França, financeiros da Europa e de líbios regionalistas que têm como único objetivo restaurar a monarquia corrupta do antigo rei Idris, derrubado por Qathafi em 1969. 

           A verdade é que esta assimilação dos negros partidários aos argentinos convergistas a muito vem ocorrendo com a campanha para a retirada das tropas brasileiras do Haiti, na medida que campanha desencadeada no Brasil foi por orientação da Convergência Argentina que exigia a retirada das tropas argentina do Haiti. 

           A Convergência Argentina, não há como negar, não vê entre a Argentina e o Haití qualquer relação étnica, cultural ou outra qualquer. O mesmo não se pode dizer do Brasil – considerado por muito nação africana fora da África, com o negro brasileiro tendo relação histórica com o negro haitiano e também identidade de destino. 

           Assim o negro partidário admitir ser orientado para uma campanha de motivação do branco argentino que nega identidade de destino entre negros do Brasil e do Haití é um erro político que o negro partidário comete e que nunca poderá ser perdoado. 

           O que deve-se ter em mente é que o centro da crítica não é a Convergência Socialista Argentina em si mesma, mas o processo político no qual a Convergência Socialista e a OTAN estão unidas em mais um crime que se comete com a invasão da África. 

           Nesta união esdrúxula no centro das críticas encontra-se: De um lado a política externa norte americana, na maioria das vezes formulada à revelia de governo, mas que no momento orienta o presidente Barack Obama, um filho da África a decretar a invasão da África e tudo o mais decorrente. 

           Do outro lado encontra-se a doutrina socialista da Convergência Argentina que assimila o negro do Brasil a apoiar partidariamente esta medida extrema da direita mundial. 

3 – Africano na Diáspora. 

           O inusitado neste processo político é que justo dias depois da votação do Conselho de Segurança que decidiu pela invasão da África e bombardeio da Líbia, com abstenção do Brasil, a política externa norte americana determina a visita de Obama ao Brasil. Uma visita sem sentido, com pouco tempo em Brasília e passagem rápida pelo Rio de Janeiro. A rigor sendo uma visita que humilhou todos os brasileiros ao submeter a detector de explosivo altas autoridades do país. Uma descortesia ao designar um provador particular para a refeição de Obama, num banquete oficial oferecido pelo governo brasileiro e um escárnio a condição de hospede, ao levar Barack Obama a dar ordem para a invasão da África quando se encontrava ainda como hospede do Governo, em território brasileiro. 

           Os negros partidários assimilados pela Convergência Argentina, além de se colocar ao lado imperialismo norte americano e ex colonialistas europeus, não lembraram por ocasião da visita de Obama ao Brasil, de exigir a libertação de Abu Jamal, prisioneiro no Corredor da morte, em prisão dos Estados Unidos a mais de vinte anos. Não lembraram também de exigir a libertação dos afegães presos em Guantanamo, que juristas dos Estados Unidos reconhecem que 60% são inocentes. 

           Os direitos humanos foram a justificativa para o bombardeio da Líbia, depois de muito ter sido propagandeado a existência de dura repressão de Qathafi a população Líbia, sem contudo precisar números de mortos, feridos e presos. Mas, quando autoridades do Governo Barack Obama declaram que só através de torturas a presos afegãos da Base de Guantanamo o esconderijo de Bin Laden foi possível ser descoberto, pouco caso aos Direitos Humanos, não se tem notícia de qualquer ação condenando este ato infame por parte dos negros partidários e muito menos da Convergência Socialista Argentina. 

           A História há de julgar todos eles. Afinal os seus nomes serão lembrados e também os dos seus partidos nesta tragédia africana. 

Obs. No dia 27/28 de maio, na UNIGRANRIO, município de Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro, organizado pelo MORENIND/MNU-RJ,  foi realizado Ato Público interno contra a Invasão da África e em solidariedade ao povo líbio sob bombardeio das ex potências colonialistas européias e os Estados Unidos, tendo o embaixador da Líbia no Brasil, Doutor Salem Omar Ezebedi, feito exposição fundamentada sobre a questão em pauta.

Yedo Ferreira

Junho de 2011

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